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Mostrando postagens com o rótulo Umbanda

A DEPUTADA E O TERREIRO

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No último final de semana, estive na casa de meu padrinho, Bàbá Diba de Iyemọnjá, no encerramento do Festival R’Gongo: Mostra de Cultura Negra na Vila São José (Porto alegre/RS) e Festa em Homenagem ao Vovô Cipriano de Angola.. Em meio ao cheiro de ervas frescas, da fumaça das velas e do calor humano que só um terreiro sabe produzir, uma cena me chamou profundamente a atenção. Entre pessoas circulando, pontos cantados e panelas trabalhando sem descanso, uma filha da corrente corria de um lado para o outro. De pés descalços, atravessava a cozinha carregando canecas com bebidas quentes, pratos de feijão mexido, aipim, linguiça com farofa, bolo de fubá. Entrava e saía apressada para atender os pretos e pretas velhas com o mesmo cuidado e dedicação de qualquer outra irmã de santo. Nada a diferenciava das demais, exceto talvez as longas tranças vermelhas. Aquela mulher era a deputada federal Daiana Santos. Talvez essa seja uma das maiores lições que um terreiro pode oferecer ao mundo contem...

Hoje, 23 de abril, é dia de saudar Ogum

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Ogum é o senhor do ferro, da tecnologia, dos caminhos abertos com luta e coragem. É ele quem vai à frente, que enfrenta o que precisa ser enfrentado, que transforma obstáculo em passagem. Na cosmopercepção africana, Ogum não é apenas guerra, é também trabalho, disciplina, estratégia e construção de futuro . Mas hoje também é dia de reconhecer como essa força se manifesta no Brasil. Na Umbanda, Ogum caminha através dos seus caboclos: Ogum Sete Ondas (um dos caboclos que me acompanha), Ogum Beira-Mar, Ogum de Ronda, Ogum de Lei, Ogum Rompe Mato... E, para mim, essa não é apenas uma referência simbólica, pois ecoa forte na minha ancestralidade. Minha tia-bisavó, Mãe Augusta que era Cacique de Umbanda, teve no Caboclo Rompe Mato o seu guia espiritual. Foi sob essa força que fundou seu terreiro na Lomba da Tamanca, em Porto Alegre, nos anos 1950, e conduziu sua caminhada, abrindo caminhos para tantos outros que vieram depois. Rompe Mato é uma entidade espiritual compreendida como um c...

O CULTO À INFÂNCIA NOS TERREIROS

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Por Hendrix Silveira* Aproveitando o dia capitalista da criança quero fazer uma pequena reflexão sobre o culto à infância nas comunidades-terreiro gaúchas. Não um culto às crianças, pois isso não existe nessas tradições, mas um culto a representação da força infantil. A própria existência de tal culto já nos garante a importância dessa força para as sociedades africanas e isso reverbera nas religiões "descendentes", se é que posso usar este termo. Me refiro aqui ao Batuque, à Umbanda e à Quimbanda. No Batuque a força infantil é cultuada sob a forma dos Òrìṣà Ibéji, uma dupla de divindades crianças que, na África, por vezes são cultuadas como dois meninos ou um casalzinho, mas sempre são irmãos. No Batuque são cultuados como um casal, filhos de Ṣàngó e Ọ̀ṣun. Seus ìtán os revelam como divindades poderosas capazes até mesmo de vencer Ikú, a Morte. São poderosas na resolução de problemas e trazem saúde e felicidade a seus cultuadores. O seu principal rito é a Mesa de Ibéji, litu...