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As Ìyámi Òṣòròngà São Mais Poderosas Que Ifá?

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Passou no meu feed em redes sociais um vídeo de uma moça dizendo que as Ìyámi Òṣòròngà são mais poderosas que Ifá. Essa afirmação revela uma chave de leitura estranha às tradições de matriz africana. Trata-se de uma transposição cristianocêntrica , que organiza o sagrado a partir de hierarquias verticais , disputa de poder e supremacia – categorias que não estruturam a cosmopercepção yorùbá nem o pensamento de terreiro. No universo yorùbá, força não é poder de dominação , mas capacidade de manter o equilíbrio da existência . Ìyámi não é um “nível acima” de Ifá , assim como Ifá não é um princípio que governa ou submete Ìyámi . São instâncias distintas de atuação do àṣẹ , inscritas em campos simbólicos próprios , mas mutuamente dependentes . Ìyámi Òṣòròngà representa a ancestralidade feminina primordial , ligada à geração da vida, à fertilidade, à morte, à continuidade e à justiça cósmica. Sua força é ontológica : diz respeito ao fato de que nada vem ao mundo sem o ventre , sem...

Quindim: doce africano ou português?

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Sempre quando falo que o quindim é um doce africano levantam-se pessoas para defender a teoria de que na realidade seria português; que foram os portugueses que inventaram a receita, etc., o que me deixou intrigado e dei uma pesquisada para saber mais a respeito. Essa discussão já gerou polêmicas até em redes sociais, pois na religião de matriz africana do Rio Grande do Sul, o Batuque, o quindim é largamente utilizado e é empregado como alimento sagrado da Orixá Oxum. É daí que surgem os questionamentos, pois como poderia um doce português ser ofertado a uma divindade africana? A resposta parece ser bem simples: este doce é amarelo, feito de ovos e é doce. E todos estes elementos fazem parte do culto à Oxum. Estes pontos, no entanto, não legitimam a teoria de que sejam africanos, pois as religiões tradicionais africanas tiveram que ser adaptadas ao novo contexto geográfico e tiverem que se utilizar de elementos disponíveis aqui para a manutenção do culto. Claro que se observou...