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Mensagem de um amigo

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Olá, Hendrix, como foi a passagem do ano? Tirei um tempinho e li não apenas o artigo em causa [Natal, Papai Noel, Kwanzaa e Batuque], mas todos os demais. Muito bons, bem escritos, mas com cuidado para evitar academicismos, tendo em vista o público alvo, além de recheados de informações interessantes, valiosas e sob perspectivas criticas. Tudo isto é fundamental para informar o pessoal de religião sobre quem são, como é a religião, sua prática. Como efeito paralelo, é bem possível que estejas estimulando o pessoal mais jovem a seguir tais passos, estudar, procurar saber além do que diz respeito apenas à prática religiosa. As religiões de matriz afro, como se sabe, foram, historicamente, e são, de uma forma ou outra, com menos ou mais sutileza, perseguidas, no máximo toleradas, além de desqualificadas, graças à tradição e "raça" da maioria de seus portadores (os que não herdaram a raça na genética, herdaram-na culturalmente, pois se negrizaram, psicologicamente, como digo)...

NATAL, PAPAI NOEL, KWANZAA E BATUQUE

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Àgo ye ègbón! A palavra Natal é latim e significa nascimento. A festa, instituída pelo Papa Libério no ano 354, é em referência ao nascimento de Jesus de Nazaré no dia 25 de Dezembro pela Igreja Católica Romana e, no dia 7 de Janeiro, pela Igreja Ortodoxa. É encarado por todos os cristãos como o dia consagrado à reunião da família, à paz, à fraternidade e à solidariedade entre os homens. Segundo estudos, a data de 25 de dezembro não é a data real do nascimento de Jesus. A Igreja entendeu que devia cristianizar as festividades pagãs que os vários povos celebravam por altura do solstício de Inverno. Por isso essa data foi adotada para que a data coincidisse com a festividade romana dedicada ao "nascimento do deus sol invencível" ( Natalis Invistis Solis ), que comemorava o solstício de Inverno. A festividade romana em honra ao deus Saturno, era comemorada de 17 a 22 de dezembro; era um período de alegria e troca de presentes. Assim, em vez de proibir as festividades pagãs, ...

QUEM É O AXERÊ?

Àgo ye égbon! Pouco se discute sobre o axerê e seu papel na nossa religião, embora existam muitas teorias e explicações para sua existência. Muitos acreditam que o axerê é o Orixá em estado infantil e por isso cobrem-lhe de brinquedos e badulaques, mas se fizermos uma análise epistemológica de seu comportamento teremos também outras idéias a seu respeito. Existe uma tremenda confusão a respeito da palavra que o identifica: axêro, axerê, axerêo, axêre, são alguns dos termos pronunciados pelos africanistas gaúchos. Este termo existe só no Rio Grande do Sul e é derivado de uma palavra da língua iorubá. Carlos Galvão Krebs, um dos primeiros antropólogos gaúchos a pesquisar o batuque foi até a Bahia se encontrar com o mais que conhecido etnólogo francês Pierre Fatumbi Verger. Ao se deparar com a palavra axerê, coletada na comunidade afro-gaúcha, Verger extasiado diz: “Mas isso é iorubá” – mostrando um dicionário dessa língua. De fato, em seu livro Orixás (VERGER, 1997, pág.139), Verger ap...
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Racismo

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OS NEGROS TAMBÉM SÃO RACISTAS?* Àgo ye égbòn! No último artigo eu expliquei o que era o ORKUT e como ele funcionava. A minha intenção é que aquele artigo sirva de introdução aos artigos subseqüentes (incluindo esse), pois vou falar constantemente sobre os debates e discussões que tenho assistido nas mais de 70 comunidades de que participo. Uma das discussões mais recentes é sobre a entrevista da ministra Matilde Ribeiro da Secretaria de Promoção Para a Igualdade Racial (SEPPIR) para a BBC Brasil. Nesta entrevista a ministra teria dito que é natural o racismo do negro em relação ao branco. O jornalismo brasileiro não perdeu tempo. Num momento em que se discutem políticas públicas para negros na tentativa de igualar as suas chances e diminuir o abismo social entre eles e os brancos, a imprensa caiu “de pau” encima da ministra com a intenção exclusiva de desqualificar seu discurso e destituir de importância o papel da SEPPIR no cenário político-social do país. Ora, o jornalismo brasile...
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TEOLOGIA E FILOSOFIA AFRO-BRASILEIRA

Àgo ye ègbon! As religiões de matriz africana estão alcançando patamares nunca antes alcançados junto às universidades nacionais e internacionais. No passado a religião era vista como um objeto a ser estudado pelos pesquisadores burgueses brancos para conquista de seus títulos em mestrados e doutorados, sempre vendo a religião como algo exótico a ser observado como num zoológico. Geralmente imbuídos por sentimentos eurocêntricos, esses pesquisadores classificavam as religiões de matriz africana como meras seitas anímicas praticadas por negros apedeutas com religiosidade limitada. Hoje, contrariando todas as estatísticas, vemos nossos irmãos dentro da academia, dentro das universidades, fazendo pesquisas e aparecendo como produtores intelectuais mostrando o Batuque, o Candomblé e a Umbanda com uma visão “desde dentro” como trata Juana dos Santos em seu livro “Os nagô e a morte” (Vozes, 2002). E são muitos os pesquisadores sérios que produzem um material que exprime o pensar da religi...