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Sobre brancos e turbantes*

Dia desses vi minha neta Sophia, de 5 anos, pegar a boneca de outra, a Lívia, de 2 anos. Logicamente a Lívia protestou, mas a atitude do pai delas foi de garantir o brinquedo com Sophia e usou de vários argumentos para tanto - desde "é apenas uma boneca" até que a outra deve aprender a compartilhar, etc. - que então passou a debochar da irmã. Um outro fato também ocorreu por esses dias: uma jovem branca usava um turbante de estilo africano e foi interpelada por uma outra jovem, esta negra, identificada apenas como ativista, que teria dito que aquela não deveria usar turbantes afro porque é branca e isto seria uma apropriação cultural indevida. A jovem branca logo publicou em sua rede social de forma que foi totalmente apoiada por muitos brancos e até alguns negros. O caso da menina foi marcado pela frase "vai ter branca de turbante sim". Uma apropriação descabida da expressão que tem sido usada por mulheres, negros, homossexuais e afro-religiosos na luta po...

Ancestralidade

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Poesia de Birago Diop Ouça no vento o soluço do arbusto: é o sopro dos antepassados... Nossos mortos não partiram. Estão na densa sombra. Estão na árvore que agita, na madeira que geme, estão na água que flui, na água que dorme, estão na cabana, na multidão; os mortos não morreram... Nossos mortos não partiram: estão no ventre da mulher, no vagido do bebê e no tronco que queima. Os mortos não estão sob a terra: estão no fogo que se apaga, nas plantas que choram, na rocha que geme, estão na floresta, estão na casa, nossos mortos não morreram.

COMBATENDO A AFROTEOFOBIA: ARGUMENTOS JURÍDICOS E TEOLÓGICOS PARA A DEFESA DA SACRALIZAÇÃO DE ANIMAIS EM RITOS DE MATRIZ AFRICANA

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Este artigo se propõe a apresentar argumentos tanto jurídicos quanto teológico-religiosos que sirvam para a defesa das práticas imolatórias de matriz africana contribuindo, assim, para que a luta de resistência travada por essas comunidades, diante destas ações persecutórias e inconstitucionais, seja mais justa. Leia mais aqui . Para citar este artigo use a seguinte referência: SILVEIRA, Hendrix. Combatendo a afroteofobia: argumentos jurídicos e teológicos para a defesa da sacralização de animais em ritos de matriz africana. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL DA ABHR, 2., 2016, Florianópolis. Anais... . Florianópolis: ABHR, 2016. p. 1-13. Disponível em: <https://www.academia.edu/29720356/Combatendo_a_afroteofobia_argumentos_jur%C3%ADdicos_e_teol%C3%B3gicos_para_a_defesa_da_sacraliza%C3%A7%C3%A3o_de_animais_em_ritos_de_matriz_africana>  . Acesso em: dd mmm. aaaa.

Os terreiros de Batuque no RS*

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Terreira é um termo genérico para os templos da tradição de matriz africana no Rio Grande do Sul, mas devido à influência da literatura sobre o candomblé o termo “terreiro” também tem sido empregado. Para Juana Elbein dos Santos, o terreiro é um espaço de propagação de valores civilizatórios africanos, são verdadeiras “mini Áfricas”: Assim, o século XIX viu transportar, implantar e reformular no Brasil os elementos de um complexo cultural africano que se expressa atualmente através de associações bem organizadas, ẹgbẹ́, onde se mantém e se renova a adoração das entidades sobrenaturais, os òrìṣà, e a dos ancestrais ilustres, os égun. (SANTOS, 2002, p. 32) Outra forma muito comum de chamar este espaço é “casa de religião”. Este último desperta curiosidade, pois, geralmente, os terreiros também são as moradias do/a sacerdote/sacerdotisa. Este termo talvez esteja alicerçado na compreensão de que é um lugar onde se pratica a religião, os ritos específicos e internos, pois para essa...

Pensando Afroteologicamente as religiões de matriz africana

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O estudo teológico nos incita a pensar a nossa espiritualidade de forma lúcida e inteligente. As várias Teologias que se apresentam nos dias de hoje nos mostram definitivamente que há a possibilidade de se pensar teologicamente de acordo com os recortes em que as estruturas sociais se apresentam. Já não é mais concebível se pensar que a Teologia é de exclusividade do Cristianismo, outras tradições religiosas vêm despontando com relativa isonomia diante desta área do conhecimento que há dois milênios vem sendo desenvolvida academicamente. Agora é a vez das Tradições de Matriz Africana como o Batuque e o Candomblé também refletirem sobre sua própria espiritualidade. Este artigo apresenta possibilidades de construção de uma Afroteologia a partir de elementos epistemológicos negro-africanos, mas instrumentalizados por conceitos da Teologia hermeneutizadas para essa realidade. Leia o artigo completo clicando AQUI : Ao citar este texto use a seguinte referência: SILVEIRA, H...

Tradição de Matriz Africana ou Povo de Terreiro: há diferenças?

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Tem surgido nas disputas políticas um debate desnecessário sobre alguns conceitos utilizados em nossas lutas por Direitos. Afinal que termo devemos usar: Comunidades Tradicionais ou Povo de Terreiro? O termo Comunidades Tradicionais foi instituído pelo Decreto Presidencial nº 6.040 de 7 de fevereiro de 2007, que institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais e que compreende os “grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição”. No site do Instituto EcoBrasil encontramos a afirmação de que "para ser reconhecido como comunidade tradicional, precisa trabalhar com desenvolvimento sustentável." "Estima-se que cerca de 4,5 milhões de...

Entendendo algumas questões de gênero nas Tradições de Matriz Africana

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A sociedade ocidental é constituída sobre quatro pilares ideológico-culturais: a heteronormatividade, o racismo, o cristianocentrismo e o machismo. O machismo é a ideologia que sustenta que o homem é superior à mulher, logo merece as melhores posições, melhores salários, etc. Quando este sentimento de superioridade é exagerado, ou seja, quando há um total desprezo pelas mulheres e seu universo, estamos falando de misoginia. Ser um "pilar ideológico-cultural" significa que a cultura de uma sociedade está arraigada destes valores, por isso dizemos que a cultura ocidental é machista, logo devemos rever estes aspectos culturais, pois a cultura não é engessada, ela pode ser remodelada - e de fato o é - de tempos em tempos. Para Braudel a cultura é "tempo longo", o que indica que suas perspectivas são mais duradouras e difíceis de serem revistas e reconstruídas, por isso Deleuze nos incita a "desconstruir" a cultura para reconstruí-la de forma a contempla...