quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Ancestralidade

Poesia de Birago Diop

Ouça no vento
o soluço do arbusto:
é o sopro dos antepassados...
Nossos mortos não partiram.
Estão na densa sombra.
Estão na árvore que agita,
na madeira que geme,
estão na água que flui,
na água que dorme,
estão na cabana, na multidão;
os mortos não morreram...

Nossos mortos não partiram:
estão no ventre da mulher,
no vagido do bebê e
no tronco que queima.
Os mortos não estão sob a terra:
estão no fogo que se apaga,
nas plantas que choram,
na rocha que geme,
estão na floresta,
estão na casa,
nossos mortos não morreram.
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