sexta-feira, 20 de abril de 2012

SEMINÁRIO SOBRE INTOLERÂNCIA RELIGIOSA



Visões a Respeito da Intolerância Religiosa, pensamentos e Críticas, o Caminho Rumo a Aceitação da Pluralidade Religiosa

Estabelecendo um diálogo inter-religioso esperamos conscientizar o público a respeito da diversidade cultural e do pluralismo religioso presente no país, mas que apesar de tudo constantemente vemos casos de intolerãncia . A partir desta análise e da compreenção do que é a fé do outro para assumirmos uma postura de respeito e tolerância e encontrar caminhos e soluções teóricas e práticas para não apenas estabelecer outros diálogos, mas realmente caminhar em busca da aceitação do outro.

A intolerância religiosa é tão antiga quanto a própria história da religião, o reconhecimento do outro como seu semelhante sempre foi um problema, negar o outro é de uma certa forma afirmar sua identidade a partir dessa negação, assim, como Reinhart Koselleck deixa claro ao pensar no contraconceito assimétrico, onde uma determinada sociedade indentifica-se ao negar outra, o que para Koselleck ocorre em pares dentro de três “regiões” semânticas: temporal, cultural e racial.

A religião é um elemento da cultura, um dos inúmeros componentes que a estrutura e dá a um povo simbolos que lhe dão uma identidade, coesão e sentimento de pertença. Mas, ao longo da história essa negação da religião e da cultura do outro gerou perseguições e conflitos.

Se a intolerância religiosa tem uma historicidade, a tolerância religiosa também possuiu a sua historicidade, dessa forma, podemos pontuar ao longo da história, casos de tolerância a entendendo dentro do conjuntos de estruturas mentais dos homens dos séculos que se passaram. O estabelecimento de um diálogo inter-religioso foi um fenômeno iniciado no século XIX, e que só hoje começa a dar seus primeiros frutos.

Apesar das semalhanças entre religiões os casos de intolerância religiosa provocaram milhões de mortes. Portanto, o Seminário sobre Intolerância Religiosa tem como objetivo que se fechem as portas para a intolerância não só a religiosa, mais também todas as outras, pois é a diversidade cultural que faz a espécie humana ser tão rica.

EXTRUTURA DO SEMINÁRIO

O primeiro dia será destinado a falar sobre intolerância e o segundo dia destinado a falar a respeito de tolerâcia religiosa. Sendo um seminário que propõe o dialogo inter-religioso, estão convidados sete representantes das seguintes religiões:

1- Catolicismo – Padre Carlos José Feeburg (engenheiro químico, matemático, teólogo e pároco da Igreja Santa Catarina);
2- Protestantismo – Reverendo Humberto Maiztegui Gonçalves (Teólogo e clérigo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil);
3- Judaísmo – A definir;
4- Islamismo – Sheik Abu Abdul Rahman Rodrigo Oliveira Rodrigues (teólogo e Imã da Comunidade Islâmica de Porto Alegre);
5- Budismo – Monja Kokai (psicóloga, psicoterapeuta e orientadora da prática Zen-Budista no Zen Vale dos Sinos);
6- Kardecismo – A definir
7- Africanismo – Bàbá Hendrix Adégbohún Ifáomi ti Òrùnmìlá (historiador, cientista das religiões e babalorixá do Ilé Àṣẹ Òrìṣà Wúre).

Local: Paróquia Santa Catarina (Av. Souza Melo, 207 - Bairro Sarandi - Porto Alegre)
Data: 28 e 29 de abril
Horário: das 14h às 18h
Iscrições gratuitas pelo e-mail historiadroysen@hotmail.com
Organização e execuçãoVINÍCUS MARCELO SILVA (Graduando no curso de licenciatura em História da Fapa)

terça-feira, 3 de abril de 2012

Lórògun - Rito de Guerra


O modo de produção econômico principal entre os povos africanos é a agricultura. A produção excedente é comercializada em grandes mercados. Mas a agricultura é uma atividade muito frágil: o tempo (incontrolável) e a mão-de-obra são fatores determinantes para a economia de uma região. Por isso muitos povos, na ansiedade de garantir uma subsistência durante o ano todo, travavam conflitos com a intenção de dominar regiões e assim cobrar tributos desses reinos. Com os iorubás não era diferente.
Existe ainda hoje um grande reino iorubá, no estado de Oxum, chamado Ijexá, origem da nossa Nação gaúcha. Este reino possui sua capital na cidade de Ilexá, onde cultua-se o Orixá Obokun que, embora sendo um Orixá da criação (Oxalá), é um guerreiro poderoso, tão importante na região que dá título ao rei (Obá Obokun).
Ogedengbe Obanla
Chefe guerreiro de Ijexá
Os Ijexás são um povo extremamente guerreiro. Travaram muitas guerras contra outras etnias iorubás para a manutenção dos seus domínios. E é aqui que entra a questão religiosa.
Para povos religiosos, como os iorubás, todas as instâncias da vida são sagradas, inclusive a guerra. É comum para muitos povos que, em tempos de paz, sejam realizados rituais (cantos, danças, beberagens, festins) de guerra. Na teologia desses povos não são apenas as pessoas que vão para a guerra, mas também suas divindades, os Orixás, e é aí que surge esse rito chamado de Lórògun (Rito de Guerra, em iorubá), ou como chamamos aqui “Mandar os Santos (ou Orixás) para a Guerra”.
Esse ritual consiste em três partes: a ida dos Orixás à guerra, o período de abstinência e o retorno dos Orixás. Na primeira parte, realizada à noite, os Orixás guerreiros se manifestam em seus “cavalos” durante um pequeno orô (rito). Após, o quarto-de-santo ficará fechado. Inicia-se então a segunda parte onde devemos nos abster de bebidas alcoólicas ou revitalizantes, carnes, sexo (diz-se que um filho concebido neste período poderia nascer com espírito brigão), qualquer coisa que nos agite, pois podem se transformar em brigas com consequências trágicas. Simbolicamente, este período de abstinência serve para nos lembrar dos períodos de guerra onde a comida é escassa e os nervos estão à flor da pele. A terceira parte é o retorno dos Orixás para casa, ritual realizado na parte da manhã, é uma grande festa de recepção onde todos os Orixás se manifestam. O sentimento é de alegria pelo Seu retorno, o que também simboliza o retorno a normalidade.
Na transposição dessa cultura ao Brasil, na época da escravidão, todos os rituais africanos tiveram que ser adaptados ao calendário católico. Assim, esse ritual africano é realizado na semana santa, com a primeira etapa na quarta-feira, a segunda na quinta e sexta-feira, e a terceira no sábado pela manhã.
Por causa da adaptação ao calendário litúrgico católico, muitas pessoas que desconhecem a história e os propósitos desse ritual, usaram a ideologia cristã para explicá-lo, mas como podemos ver esse ritual é tipicamente africano, faz parte das nossas raízes mais remotas e devemos realizá-lo com muito respeito e reverência.

Referências
ADÉKỌ̀, Olúmúyiwá Anthony. Yorùbá: tradição oral e história. Terceira Imagem: São Paulo, 1999.
AMIN, Samir. O desenvolvimento desigual: ensaio sobre as formações sociais do capitalismo periférico. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1976. 334 p.
OGEDENGBE: the legendary african warrior. Disponível em <http://www.ogedengbe.com>. Acesso em 03/04/12.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...