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Curso EaD de Teologia de Matriz Africana

A Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana (ESTEF) promove no segundo semestre do ano de 2020 o Curso de Teologia de matriz africana na modalidade EaD (Ensino à Distância). O curso tem por objetivo entender a História e a Teologia das Tradições de Matriz Africana. Busca compreender como essa tradição sofreu a sua destituição epistemológica; atribuir sentidos e propósitos aos rituais a partir de uma reflexão teológica fundamentada numa epistemologia interdisciplinarizada, afrocentrada e pós-colonializada; dar-nos a conhecer a história dessa tradição, desde suas origens africanas até a reestruturação local; auxilia tanto pesquisadores sobre o tema quanto profissionais na área de educação, sobretudo no campo da Teologia, das Ciências da Religião e do Ensino Religioso; assim como municiar os vivenciadores que, devido à perseguição histórica, acabaram por ter seus saberes ancestrais destituídos com o epistemicídio engendrado pelo colonialismo.
Metodologia: O curso transcorr…

Drauzio e o abraço condenado

Não assisti, mas as redes sociais ficaram em polvorosa desde o último domingo onde, no Fantástico, o médico Dráuzio Varella abraça uma transsexual chamada Suzy. O problema foi que o que veio à tona após este ato de humanidade é o motivo pelo qual Suzy está presa. Logo, muitas pessoas antes comovidas com o ato, agora o condenam. Outras emissoras de televisão aproveitaram, em seus programas sensacionalistas, para atiçar a disputa por audiência e até aquele que ocupa o cargo máximo do executivo nacional abriu mão de apresentar um plano econômico que faça frente à queda vertiginosa da Bolsa de Valores brasileira por conta do preço do petróleo, ou sobre a crescente desvalorização do real frente ao dólar, a falta de investimento público em vários setores, a alta taxa de desemprego que aflige 11,9 milhões de brasileiros, ou mesmo o pífio crescimento do PIB, de 1,1%, em 2019; preferiu eleger o tal abraço como o problema nacional.
Mas por que o abraço do Dr. Dráuzio incomodou tanto? Tenho algum…

Sobre a atual conjuntura

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Tenho recebido muitos vídeos e mensagens tanto pelo Facebook, quanto pelo Whatsapp de pessoas desavisadas que compartilham vídeos e áudios de gente mal caráter que usa a atual crise econômica, política e sobretudo a greve dos caminhoneiros como pretexto para, manipulando o povo, exigirem uma intervenção militar no país.
Já vi de tudo: - Mensagem pedindo para apoiar a greve por um certo período de dias, pois assim legitimaria a intervenção militar; - Suposto general manipulando as pessoas a acreditarem que, se o poder emana do povo, o povo pode dar poder aos militares para subirem ao poder; - Gente em Dom Pedrito dizendo que é para tirar as faixas de greve das manifestações e substituí-las por intervenção já! Maior manipulação que está não há - Até uma propaganda pró militares no poder altamente mentirosa e manipuladora.
Não é possível fazer uma análise dessa conjuntura toda sem levar em conta aspectos de nossa cultura.
Nossa cultura possuí 4 pilares fundamentais: o racismo (que garan…

Borí: nascimento e renascimento

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O Borí é um rito de renascimento. Para as tradições de matriz africana o ser humano nasce duas vezes: o parto físico, advindo do ventre de sua mãe e o nascimento espiritual ritualizado no Borí. É o rito mais importante para essa tradição, pois quem a realiza estabelece um vínculo com o seu Òrìṣà garantindo um relacionamento mais profundo. A feitura de Borí está intimamente relacionada à noção ontológica de humanidade (ser físico e ser espiritual). Vários autores como Beniste, Verger, Bastide e outros, têm dito que o termo significa “alimentar à cabeça” (ẹbọ [ébó = oferenda] + orí [ôrí = cabeça]), numa alusão ao fato de estarmos alimentando a nossa cabeça mítica, ou seja, fortalecendo-a. Contudo, caso fosse este o seu significado real, a pronuncia seria “bórí” (escrita bọrí), há até aqueles que, influenciados por essa concepção, têm escrito e divulgado o termo “ẹbọrí”. Entrementes, em todo o Brasil pronunciamos “bôrí” (Borí), o que nos leva a crer num significado diferente: + orí, …

São Jorge e Ògún: sincretismo ou hibridismo

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Quando Diocleciano assumiu o poder no Império Romano proclamou uma série de reformas com a intenção de reorganizar o Império que estava já decadente desde o domínio pela dinastia dos Severos. Para garantir a eficiência das reformas era necessário um Estado coeso e forte representado na doutrina que pregava a origem divina dos césares romanos. O cristianismo foi levado à Roma pelo apóstolo Pedro na década de 50 d.C. Esta então seita do judaísmo pregava que Jesus de Nazaré era o messias e salvador do povo judeu. Como condenava a idolatria e defendiam a existência de um único Deus, os cristãos se negavam a adorar a figura do imperador como uma divindade, pré condição imperial para a liberação de práticas religiosas não romanas em seu território. Com isso os embates entre cristãos e romanos resultaram numa perseguição que concluía na morte de milhares de devotos. No século III muitas famílias de cristãos já seguiam essa ainda seita judaica há poucos gerações. Entre eles está a família de…

Povo de Terreiro também tem que ser politizado

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Uma Casa de Santo não é isenta da política. De fato é o apedeutismo político de nosso povo que faz com que não busquemos fortalecer as políticas que nos favorecem.
O discurso do batuqueiro é o de rechaço às questões políticas, talvez por medo de perder filhos de santo ou sei lá. O fato é que isso apenas garante espaço para que outros segmentos da população tomem as decisões. Os batuqueiros são um segmento da sociedade e têm o dever cidadão de acompanhar os processos políticos e verificar quais são os projetos que lhe beneficiam como coletivo, pois nossa visão de mundo é comunitária. Não podemos ficar alheios aos acontecimentos políticos que visam nos subalternizar, desmontar direitos adquiridos e até nos calar.
O golpe político que retirou Dilma do poder e que tenta impedir Lula de ser candidato nas próximas eleições não é um ataque às pessoas de Dilma e Lula ou ao PT, mas sim um ataque aos projetos políticos implementados por eles. Projetos esses que deram poder ao povo empobrecido.
Tam…

Caridade x Assistencialismo x EconomiaComunitária

Li um pequeno texto num blog que tentava discutir a diferença entre caridade e assistencialismo. Contudo o argumento do texto é muito senso comum.
Caridade e Assistencialismo são exatamente a mesma coisa. A diferença está em quem o promove. A caridade é sempre promovida por indivíduos, enquanto que o assistencialismo é promovido por instituições e órgãos públicos ou privados, inclusive instituições religiosas.
A palavra "caridade" vem do latim "cáritas" que significa "favor" ou "ajuda". Tanto a caridade quanto o assistencialismo não contribuem para a promoção de igualdade social, pelo contrário, mantém as desigualdades. De fato as desigualdades são até necessárias. É necessário ter pobres para que se faça a caridade e se promova o assistencialismo. Estas ações não alteram o status quo. Geralmente as pessoas e entidades que promovem a caridade e o assistencialismo doam apenas o excedente de seus lucros justamente para pacificar as massas empobre…