sábado, 24 de janeiro de 2009

Mensagem de um amigo

Olá, Hendrix, como foi a passagem do ano?



Tirei um tempinho e li não apenas o artigo em causa [Natal, Papai Noel, Kwanzaa e Batuque], mas todos os demais. Muito bons, bem escritos, mas com cuidado para evitar academicismos, tendo em vista o público alvo, além de recheados de informações interessantes, valiosas e sob perspectivas criticas. Tudo isto é fundamental para informar o pessoal de religião sobre quem são, como é a religião, sua prática. Como efeito paralelo, é bem possível que estejas estimulando o pessoal mais jovem a seguir tais passos, estudar, procurar saber além do que diz respeito apenas à prática religiosa. As religiões de matriz afro, como se sabe, foram, historicamente, e são, de uma forma ou outra, com menos ou mais sutileza, perseguidas, no máximo toleradas, além de desqualificadas, graças à tradição e "raça" da maioria de seus portadores (os que não herdaram a raça na genética, herdaram-na culturalmente, pois se negrizaram, psicologicamente, como digo). A leitura dos artigos memostrou que compreendes muito bem que um sacerdote, hoje, não pode se restringir, como disse, a tal prática. O que fazes - divulgando a religião, abordando assuntos a ela relacionados, democratizando informações não apenas sobre elas, mas sobre a cultura negra em geral, o papel que os negros exerceram na construção da economia brasileira, por exemplo, como participaram e participam da nossa história - são formas, também, de dar dignidade a seus praticantes, elevar sua auto-estima, ter orgulho de ser o que são. É entender, ainda, que a prática da religião depende, em gênero, número e grau, das condições de ser praticada e, portanto, remete a questão para a sociedade envolvente que, em última análise, vai participar da regulação destas condições.


Parabéns!

Grande abraço

Norton Figueiredo Corrêa*

São Luiz do Maranhão, 04 de janeiro de 2009 - por e-mail
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* Graduado em Ciências Socias pela UFRGS, mestrado em Antropologia Social pela UFRGS e doutorado em Ciências Sociais pela PUC/SP. Atualmente é professor adjunto I da Universidade Federal do Maranhão. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia das Populações Afro-Brasileiras, atuando principalmente nos seguintes temas: Antropologia, Antropologia da religião, Antropologia de sistemas simbólicos, Religiões afro-brasileiras, Batuque do Rio Grande do Sul e Cultura popular.

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