segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Vigiar e Punir

Desde a questão do ladrão da hornet branca que foi baleado pelo policial que não lhe deu voz de prisão, mas sim agiu como um xerife ao estilo do velho oeste estadunidense e mais recentemente o caso dos animais roubados de um laboratório, tenho lido no facebook uma onda de pessoas defendendo a ação pistoleira do policial e propostas de que testes laboratoriais sejam feitos em seres humanos ao invés de animais. Ainda sugerem que seja feito em pedófilos e assassinos e há aqueles que incluem políticos corruptos. Isso me fez lembrar do seriado televisivo DEXTER, que narra as ações de Dexter Morgan que misturam (ou confundem) a ideia de um serial killer com um justiceiro, pois Dexter é um psicopata que teve sua compulsão por assassinatos direcionada exclusivamente a criminosos de todo o tipo. 

O cristianismo, como agente construtor da cultura ocidental, pressupõe elementos de justiça oriundos do direito romano e que estão amplamente vinculados a punição. Assim o punir é entendido como um mecanismo de correção e, por conseguinte, de justiça. Michel Foucault, filósofo francês do século passado, escreveu o livro "Vigiar e Punir" tentando analisar o sistema penal ocidental e que lança luz sobre como somos criados na perspectiva da vigilância (termo muito utilizado na bíblia, mas aparentemente interpretado de outras formas pelas igrejas) e da punição.

Com isto podemos aludir que somos criados para sermos juízes dos outros. Estamos sempre vigilantes, não sobre nós mesmos como sugere a bíblia, mas dos outros. Julgamos todo mundo o tempo todo. E quase sempre os condenamos. E alguns ainda exortam a que tipo de punição a pessoa condenada merece. E ainda há aqueles que se tornam os carrascos. Me parece que nossa sociedade está cada vez mais julgadora e, sobretudo, condenadora.

Os marginalizados são frequentemente intitulados como seres inferiores e por isso merecem as punições a eles imposta. Isto muito me lembra a escravidão moderna. Os negros eram tratados como seres inferiores, sujos espiritualmente e essa "sujeira" era visível materialmente através da cor de sua pele e de seus hábitos primitivos. À eles o trabalho escravo era uma purga para seus pecados ancestrais, a escravidão era uma forma de redimi-los ante a Deus pelo pecado cometido por Cam à Noé. O negro era um sub-humano, um ser inferior do qual o branco podia exercer todo seu sadismo sem prejuízo de sua própria humanidade.

Da mesma forma agem hoje aqueles que apoiam e divulgam as ideias discutidas neste textículo: o marginal, o pedófilo, o assassino e o político corrupto estão abaixo da categoria de seres humanos, por isso matá-los ou realizar testes laboratoriais com eles não maculam a humanidade daqueles, pelo contrário, é até uma forma de puni-los por terem se atrevido a afrontar a ordem estabelecida pelos homens e mulheres de bem, vulgo, seres humanos. Confundem vingança com justiça.

Um comentário:

Luiz L. Marins disse...

Axé.


Em alguns aspectos concordo contigo; em

outros, penso diferente de ti.

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