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Pensando Afroteologicamente as religiões de matriz africana

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O estudo teológico nos incita a pensar a nossa espiritualidade de forma lúcida e inteligente. As várias Teologias que se apresentam nos dias de hoje nos mostram definitivamente que há a possibilidade de se pensar teologicamente de acordo com os recortes em que as estruturas sociais se apresentam. Já não é mais concebível se pensar que a Teologia é de exclusividade do Cristianismo, outras tradições religiosas vêm despontando com relativa isonomia diante desta área do conhecimento que há dois milênios vem sendo desenvolvida academicamente. Agora é a vez das Tradições de Matriz Africana como o Batuque e o Candomblé também refletirem sobre sua própria espiritualidade. Este artigo apresenta possibilidades de construção de uma Afroteologia a partir de elementos epistemológicos negro-africanos, mas instrumentalizados por conceitos da Teologia hermeneutizadas para essa realidade. Leia o artigo completo clicando AQUI : Ao citar este texto use a seguinte referência: SILVEIRA, H...

Tradição de Matriz Africana ou Povo de Terreiro: há diferenças?

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Tem surgido nas disputas políticas um debate desnecessário sobre alguns conceitos utilizados em nossas lutas por Direitos. Afinal que termo devemos usar: Comunidades Tradicionais ou Povo de Terreiro? O termo Comunidades Tradicionais foi instituído pelo Decreto Presidencial nº 6.040 de 7 de fevereiro de 2007, que institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais e que compreende os “grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição”. No site do Instituto EcoBrasil encontramos a afirmação de que "para ser reconhecido como comunidade tradicional, precisa trabalhar com desenvolvimento sustentável." "Estima-se que cerca de 4,5 milhões de...

Entendendo algumas questões de gênero nas Tradições de Matriz Africana

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A sociedade ocidental é constituída sobre quatro pilares ideológico-culturais: a heteronormatividade, o racismo, o cristianocentrismo e o machismo. O machismo é a ideologia que sustenta que o homem é superior à mulher, logo merece as melhores posições, melhores salários, etc. Quando este sentimento de superioridade é exagerado, ou seja, quando há um total desprezo pelas mulheres e seu universo, estamos falando de misoginia. Ser um "pilar ideológico-cultural" significa que a cultura de uma sociedade está arraigada destes valores, por isso dizemos que a cultura ocidental é machista, logo devemos rever estes aspectos culturais, pois a cultura não é engessada, ela pode ser remodelada - e de fato o é - de tempos em tempos. Para Braudel a cultura é "tempo longo", o que indica que suas perspectivas são mais duradouras e difíceis de serem revistas e reconstruídas, por isso Deleuze nos incita a "desconstruir" a cultura para reconstruí-la de forma a contempla...

Egun e o Dia de Todos os Santos

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Hoje é Dia de Todos os Santos para algumas igrejas cristãs como a católica, a ortodoxa, a anglicana e a luterana. Embora tenham divergências teológicas a respeito da celebração, todos prestam homenagem a memória de mártires que defenderam inabalavelmente sua fé diante de torturas e da iminência da própria morte. Foram exemplares e, por isso mesmo, são veneráveis modelos para os cristãos de todo o mundo. Santo, em latim "sanctum", significa "separado" (ELIADE), ou seja, os santos são aqueles que já foram separados do mundo pela graça de Deus. Sejam eles conhecidos ou anônimos, todos são festejados nesta data. Na tentativa de traçar uma estratégia de conversão dos africanos escravizados, a longo prazo, a igreja católica promoveu o sincretismo de alguns de seus santos com os Orixás. O fato é que teologicamente os santos não são comparáveis aos Orixás, pois estes últimos são divindades criadas por Deus para a manutenção da criação, enquanto que os primeiros foram seres ...

PEQUENA REFLEXÃO AFROTEOLÓGICA SOBRE A ÁGUA

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Por Hendrix Silveira* As tradições de matriz africana tem uma relação estreita com as forças da natureza. Acreditamos que as divindades (Orixás/Voduns/Nkisis) criadas por Deus (Olodumare/Mawu-Lisa/Nzambi) para regularem e fortalecerem com o seu poder (Axé/Nguzu) toda a Criação, partilham dessas forças. De fato isto faz com que algumas teorias de que os Orixás seriam as forças da natureza estão equivocadas. Os Orixás não são as forças da natureza, mas sim as forças da natureza existem em decorrência do poder dos Orixás. "Os Orixás estão especialmente associados à estrutura da natureza, do cosmo", diz Juana Elbein dos Santos em Os nagô e a morte (p. 102). Os quatro elementos - água, fogo, terra e ar - são a matéria simbólica do qual os Orixás têm controle através de seu Axé. Estes quatro elementos não estão hierarquizados em níveis de importância. Cada um deles tem seu papel na manutenção do cosmo através dos Orixás. Contudo observamos que a água é o grande agente promotor...

Títulos hierárquicos no Batuque do RS

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Eu sempre digo que sou conservador no Batuque. Isto significa que concordo com novas interpretações, mas não com a alteração dos ritos. Os ritos do Batuque foram instituídos por nossos ancestrais e devemos honrá-los. Contudo, defendo o uso de alguns títulos no Batuque que são típicos do Candomblé como Abíyán, Ìyàwó e Ẹ̀gbọ́nmí. Alguns criticam isso porque seria candomblenizar o Batuque. Outros que seria uma apropriação indevida. Eu acredito que não há problema algum, assim como não houve quando passamos a utilizar os termos Bàbálórìṣà e Ìyálórìṣà que também foram criados pelo Candomblé. Em África estes títulos não existem. O termo típico do Batuque para o sacerdócio, pelo menos até meados dos anos 1980, era Babaláu e Babalôa , certamente corruptelas de Bàbáláwo , o sacerdote de Ifá-Ọ̀rúnmìlà. Foi com a popularização do Candomblé na grande mídia no centenário da abolição da escravatura em 1988 que os termos Bàbálórìṣà e Ìyálórìṣà começaram a aparecer por estas bandas gaudérias. ...

MOVIMENTO EM DEFESA DAS TRADIÇÕES CULTURAIS RELIGIOSAS DE MATRIZ AFRICANA CONTRA O PL 21/2015

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No link abaixo o material com a produção de quatro textos que nos ajudam a discutir o PL 21/2015. Foi produzido com a intenção de socializar elementos que podem constituir bons argumentos na defesa das Tradições de Matriz Africana no tocante ao crescente investimento de segmentos fundamentalistas da sociedade que intencionam destituir essas tradições de sua dignidade e direitos. Sumário Hendrix Silveira TRADIÇÕES CULTURAIS RELIGIOSAS DE MATRIZ AFRICANA: DADOS EPISTEMOLÓGICOS EM CONSONÂNCIA COM A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA VIGENTE Ricardo da Silva Ribeiro ANÁLISE ECONÔMICA DO IMPACTO DO PROJETO DE LEI 21/2015 Miguel dos Santos Cerqueira A EFETIVIDADE DE UM DIREITO FUNDAMENTAL Sidnei Barreto Nogueira CARTA ABERTA À POPULAÇÃO QUE CRÊ NA LAICIDADE DO BRASIL E AOS LÍDERES DAS RELIGIÕES DE MATRIZES AFRICANAS ACERCA DO PROJETO DE LEI 21/2015, DA DEPUTADA REGINA BECKER FORTUNATI (PDT/RS) QUE PROÍBE O SACRIFÍCIO DE ANIMAIS EM RITUAIS RELIGIOSOS...